O país, e principalmente o estado de São Paulo, ficaram perplexos com mais um episódio de crueldade e violência dentro de uma escola. Desta vez o lugar lavado de sangue foi a Escola Estadual Raul Brasil em Suzano, grande São Paulo. Dois adolescentes entraram na instituição e começaram a atirar a esmo, matando sete pessoas, e depois se matando. Acontecimento que vai ficar registrado na lista de histórias obscuras do país, e principalmente na mente de todos que se viram personagens deste fatídico ato.
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| Guilherme Taucci Monteiro (esquerda) e Luis Henrique de Castro (direita) |
A manhã de 13 de março era para muitos mais um dia de muito trabalho para recuperar os danos da forte chuva que castigou boa parte do estado na inicio da semana. Mas no bairro Jardim Imperador, em Suzano, era o inicio de horas de horror. Por volta das nove horas da manhã Guilherme Taucci Monteiro começou a sequência de morte depois de atirar em seu próprio tio, que estava em seu escritório numa loja de automóveis e lava rápido. Três disparos deixaram Jorge Antonio Moraes gravemente ferido na região do tórax. Jorge, que foi o primeiro a ser baleado, seria a última morte confirmada do dia, totalizando 10 óbitos.
Depois de balear o tio, Guilherme, de 17 anos, entra em um carro alugado, um Onix branco, onde era esperado por Luis Henrique de Castro, de 25 anos, e vão para a escola Raul Brasil. Ao chegarem, numa fria tranquilidade, os dois adolescentes se preparam para entrar. O primeiro é Guilherme, que entra, se desfaz de um caderno no hall da secretaria e começa a fazer vários disparos aleatórios acertando as pessoas que estavam no local. Em seguida Luis Henrique entra correndo carregando uma besta (arco que dispara flechas em horizontal) e um machadinho. Enquanto um continua atirando no páteo do colégio, pegando de surpresa os alunos que estavam em horário do intervalo, o outro desfere golpes de machado nos corpos na entrada. Os alunos fogem do jeito que podem. Uns pularam os muros, outros conseguiram sair pelo portão do zelador, nos fundos da escola, e outros correm em direção da saída principal sendo acertados pelo assassino com machado.
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| Imagem da câmera de segurança mostra momento em que Guilherme efetua os primeiros disparos. |
Os que permaneceram dentro do colégio se esconderam como pode. Na cozinha, a merendera Silmara Silva consegue acolher alunos que se trancam fazendo barricadas com a geladeira e as mesas. Assim Silmara ajuda a salvar cerca de cinquenta pessoas. Alguns alunos correram para os banheiros e conseguiam ali ligar para os pais. Nas salas, os alunos se juntam para trancarem as portas com o próprio corpo, evitando assim que entrassem.
A polícia chega rápido ao local, passaram apenas cerca de nove minutos para que chegassem as primeiras viaturas. Quando perceberam a presença da polícia, os assassinos resolveram então encerrar, tirando suas próprias vidas. Guilherme matou Luis, e depois se matou. Após a divulgação dos nomes da vítimas fatais, que foram revelados às 14:30h somente, para que as suas famílias não ficassem sabendo por terceiros, apareceram mais 8 nomes junto com os dois assassinos:
FUNCIONÁRIAS
Marilena Ferreira Vieira Umezo - Coordenadora Pedagógica
Eliana Regina de Oliveira Xavier - Inspetora de alunos
ALUNOS
Kaio Lucas Costa Limeira
Clayton Antonio Ribeiro
Caio Oliveira
Samuel Melquíades Silva de Oliveira
Douglas Murilo Celestino
Jorge Antonio Moraes - tio de Guilherme, o assassino, morreu no HC em São Paulo.
Os feridos correram para os hospitais mais próximos, sendo dois: Hospital Santa Maria e o Santa Casa de Suzano. Dali, os que estavam em situação mais grave eram relocados para outras regiões: Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba e São Paulo, capital, no Hospital das Clínicas. Um dos médicos do hospital Santa Maria disse em entrevista que um dos alunos, José Victor Ramos Lemos, chegou andando com o machado fixado no ombro, pedindo por socorro. Junto com João, que tem bom quadro clínico, estão mais 8 feridos, sendo alguns em estado grave.
A Polícia Militar contou com a ajuda do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) nas buscas dentro da escola. Alguns alunos relataram que os atiradores entraram dizendo ter bomba em uma das bolsas. Os policiais encontraram um revolver calibre 38, usado para os disparos, uma besta,um machado, flechas, coquetéis molotov e uma bomba de mentira. Na casa dos criminosos, as polícias apreenderam computadores, celulares, tablets e dois alvos de papel usados para prática de disparos de tiro e flechas. O motivo do massacre ainda está sendo averiguado. Os dois meninos eram ex alunos da escola.
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| momento em que João Dória (Governador de São Paulo) fala com os jornalistas |
João Dória, governador do estado de São Paulo, visitou o local e disse em coletiva que aquelas cenas que presenciou ao entrar no colégio eram as mais tristes que ele já viu em sua vida. O governador ainda disse que o governo, em apoio com a prefeitura local, irá dar ajuda às famílias das vítimas em todos os pontos possíveis, desde gastos funerários até a amparos com serviços psicológicos. Dória ainda decretou três dias de luto no estado.
Esse episódio, juntamente com um outro fato muito marcante em escolas no Brasil, o do colégio em Realengo, Rio de Janeiro, em 2011, onde morreram 12 pessoas após um aluno entrar com duas pistolas e sair disparando para todos os lados, se unem como os piores e mais traumáticos ataques em locais públicos no país. Duas chacinas que mataram juntas 22 pessoas, sendo muitas delas jovens.
O massacre de Suzano será assunto do H News Policast do próximo domingo, onde conversaremos com convidados para ter uma noção dos impactos, das consequências e dos danos que isso causa para todos os brasileiros, e alguns outros pontos sobre as escolas e projetos de flexibilização de porte de arma que se levantam após esse ocorrido.





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